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Por Jornal i
publicado em 29 Out 2012 - 03:00
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Fátima Vieira. “As pessoas que saem à rua redescobriram o direito à dignidade”
Vivemos um momento de viragem. Nas ruas exige-se mais do que um subsídio ou um feriado: é uma nova sociedade que se deseja

Utopia: “projecto de natureza irrealizável; ideia generosa, porém impraticável”: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Para que saem então os portugueses à rua? Fátima Vieira é professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, especializada em estudos sobre utopias. Analisa com o i o actual momento de actividade social e considera que os portugueses redescobriram o direito à dignidade, mas também porque querem uma mudança.

A actividade social que vivemos tem paralelo com outras épocas?

No Maio de 1968 encontramos a mesma energia e uma situação parecida: uma série de jovens, que de repente vê o seu futuro muito negro, em número suficiente para formar uma massa crítica. Mas agora, o que está em causa é sobretudo uma revolução intelectual. Poderá haver quem queira uma revolução política, mas acho que tem a ver com uma maneira diferente de olharmos para as coisas.

E que contributo podem dar estes movimentos sociais?

São um sinal muito evidente de que as consciências estão a despertar e, para os que já despertaram, tem a função de despertar outros indivíduos. Quem explica muito bem isto é [Francesco] Alberoni, na teoria do estado nascente. Os movimentos sociais acontecem assim: há um momento de descontinuidade social em que pelo menos um indivíduo olha à volta e percebe – ele fala quase numa revelação – que as estruturas estão ultrapassadas. Depois dessa revelação vai partilhá-la com outros indivíduos, que poderão ou não ter tido uma revelação. O que está em causa é a partilha de uma recusa da realidade.

É isso que se nos apresenta: este modelo já não serve?

Creio que sim. Acho que o neoliberalismo está esgotado e é isso que, de forma geral, todos dizem. Agora, não sabemos muito bem para onde seguimos. Sabemos que conhecemos o comunismo, o socialismo e o capitalismo. O que é muito interessante é esta consciência de que não sabemos e todos estes movimentos sociais têm tido a preocupação de estimular o debate. Por exemplo, a plataforma Convergir, que teve a primeira assembleia geral no 15 de Setembro, pretende debater formas alternativas de organização social. Querem gente apartidária, não querem ideologias e a grande vontade é integrar uma multiplicidade de perspectivas com o objectivo comum de obter uma ideia construtiva.




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