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Por Jornal i
publicado em 10 Mar 2012 - 03:00
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Católicos modernos. Nem só de jejuns se vive na Quaresma
Para muitos católicos, a Quaresma continua a não ser coisa de avós ou de gente ultrapassada: são cerca de 40 dias entre o Carnaval e a Páscoa levados a sério, em que se alteram rotinas e fazem sacrifícios – que não se resumem ao jejum. Há quem

Helena está determinada: até chegar a Páscoa, só vai ao Facebook de dois em dois dias. Bernardo embarca, todos os anos, num retiro de 72 horas em absoluto silêncio. Isabel quer estar 40 dias sem comprar uma única revista. Miguel deixou-se de doces e sobremesas. A maioria dos católicos já não cumpre à risca as recomendações da Igreja para a Quaresma – tempo de penitência, meditação e purificação através da prática do jejum, da esmola e da oração.

Mesmo assim, ainda há quem leve o assunto a sério e até inove na hora de fazer sacrifícios. No caso de Miguel Machado, advogado estagiário e professor na Faculdade de Direito de Lisboa, viver a Quaresma a preceito já é tradição de família. Quando era miúdo construía, com os dois irmãos, um dado gigante. Em cada face estava escrita uma coisa de que gostassem “muito”. Aos domingos, na companhia dos pais, o dado rolava e, durante a semana, os três irmãos Machado abdicavam daquilo que a sorte ditasse. Miguel tem agora 24 anos e a Quaresma “mais difícil de sempre” pela frente – por estar dividido entre dois trabalhos com “horários exigentes”. Mas nem assim o advogado deixa de cumprir as obrigações de católico. Este ano, propôs-se coisas simples. “Como abdicar de doces e sobremesas, que são coisas que me dão muito prazer”, confessa. Os tempos de oração são reforçados e Miguel não se deita sem fazer um exame de consciência e escrever uma oração “acompanhada de uma pequena reflexão”. Quanto aos tradicionais jejuns de comida, o advogado é cauteloso: “Por vezes receio que os jejuns sirvam de desculpa para que os católicos não apostem nas coisas essenciais. De que serve não comer carne à sexta-feira se depois até vou a um restaurante de sushi caríssimo comer peixe?”, exemplifica, sublinhando que a Quaresma é um tempo de “transformação interior” em que o mais importante é “o encontro com Deus”. Com Deus e não só: “É tentar também ser melhor filho, melhor namorado, melhor amigo e até mais competente no trabalho”, diz.

Nunca mais fez férias Desde que descobriu a “importância” da Quaresma, Isabel Figueiredo nunca mais teve coragem de ir de férias para o Algarve antes da Páscoa – um ritual que cumpria quase todos os anos.




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