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Cientistas descobrem compostos marinhos ao largo dos Açores

Cientistas descobrem compostos marinhos ao largo dos Açores

21/07/2013 00:00:00
As bactérias que existem nas estátuas italianas de santos que supostamente choravam sangue também produzem o mesmo elemento

Cientistas portugueses e dos Estados Unidos recolheram bactérias marinhas ao largo de São Miguel e Santa Maria, duas ilhas dos Açores, que podem vir a ser utilizadas no combate de várias patologias, entre as quais o cancro. A revelação foi feita à agência Lusa por Ana Lobo, química do Departamento de Química da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que esteve envolvida no projecto.

Para além de Ana Lobo, o projecto integrou outros dois investigadores da Califórnia e dois da Universidade dos Açores, bem como mais elementos da Universidade Nova de Lisboa e exteriores àquela academia que procederam a recolhas de bactérias a mais de mil metros de profundidade nas águas dos Açores.

"Trata-se das prodigiosinas que nós isolamos das bactérias recolhidas no mar dos Açores e que são antibióticos, anticancerígenos, antimaláricos, imunossupressores", disse a cientista. "Portanto, são de extrema importância para a actividade farmacológica e estão já a ser desenvolvidos, alguns deles, em versão farmacêutica."

Ana Lobo refere que a iniciativa, apoiada pela Fundação da Ciência e Tecnologia, teve como objectivo "descobrir compostos marinhos" de bactérias marinhas que podem ser úteis no fabrico de medicamentos.

Inovação Após a recolha dos compostos de origem marinha, foi feita uma triagem no Centro Biotecnológico de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos. A docente da Universidade Nova de Lisboa explicou que a investigação se centrou em estirpes streptomyces, onde foram descobertos uns compostos conhecidos por prodigiosinas, vermelhos, e cujo nome deriva da palavra prodígio.

Ana Lobo refere que as bactérias terrestres produzem compostos análogos, "conhecidos há muitos anos", que apareceram com maior intensidade em estátuas italianas de santos, que supostamente choravam sangue, gerando manifestações religiosas.

A cientista refere que as prodigiosinas são metabolitos secundários, ou seja, compostos orgânicos que não estão directamente envolvidos em processos de crescimento, desenvolvimento e reprodução dos organismos, que se formam na bactéria depois desta ter crescido e que podem permitir o fabrico de produtos sintéticos e biológicos. Ana Lobo considera também que "foi interessante" que a sua equipa viesse a encontrar uma estirpe marinha não estudada com compostos análogos aos que existem fora do ambiente marítimo.

A cientista portuguesa revela que neste momento se está a entrar nos ensaios clínicos a nível mundial, uma vez que ainda não há "nenhuma droga" derivada destes compostos a ser fornecida aos doentes, acentuando que a "redução da toxicidade" pode ser feita com "alterações simples" ou "relativamente simples." Os trabalhos de laboratório ainda decorrem e o processo vai levar o seu tempo até chegar ao mercado sob forma de uma substância nova. M. B. S., com Lusa

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