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Primeira década do século foi a mais quente no mundo desde 1850. Mas não em Portugal

Primeira década do século foi a mais quente no mundo desde 1850. Mas não em Portugal

12/07/2013 00:00:00

A primeira década deste século foi a mais quente a nível global dos últimos 160 anos, desde o início das medições meteorológicas modernas. Entre 2001 e 2011, a temperatura média do ar foi superior quase meio grau centígrado ao valor registado nos dez anos anteriores, segundo um relatório das Nações Unidas. Mas Portugal "não está em linha" com as conclusões avançadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM): por cá, a década mais quente foi precisamente a última do século xx (1991-2000).

O estudo divulgado na última semana mostra que, em média, a temperatura atmosférica durante o decénio inaugural do século xxi ficou nos 14,17oC, uma variação 0,47oC superior à registada no período entre 1961 e 1990. Em Portugal, a "anomalia" foi superior e situou-se nos 0,5oC, de acordo com os dados recolhidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Um aumento porém insuficiente para tornar esse período o mais quente da história da meteorologia portuguesa.

E as incongruências não se ficam pelo calor, já que o país "não está em linha" com "vários pontos" das conclusões do relatório, segundo Fátima Espírito Santo. A chefe da divisão do Clima e das Alterações Climáticas do IPMA começou por ressalvar que em Portugal, no respeitante à precipitação, "a primeira década deste século foi a mais seca desde 1933", data em que se iniciaram as medições meteorológicas do instituto.

A nível global, por oposição, o relatório destaca o decénio 2001-2011 como "o segundo mais chuvoso desde 1901", chegando até a escrever que "a maioria das regiões do planeta registou níveis de precipitação superiores ao normal durante essa década". O ano de 2010 é, aliás, singularmente destacado como o mais chuvoso desde "o início das medições modernas" no planeta. Portanto desde 1850.

No campo dos anos com mais calor, as diferenças são menores. O documento, intitulado "O Clima Global em 2001-2011: Uma Década de Extremos", sinaliza 2008 como o único ano entre a primeira década deste século que não ficou no top dos anos mais quentes de sempre.

Em Portugal, a especialista do IPMA destacou 2004, 2005 e 2007 como os anos em que "ocorreram as secas com maior gravidade e extensão territorial". Fátima Espírito Santo recordou ainda o ano de 2003, quando se registou "uma onda de calor sem precedentes" que chegou a perdurar "durante 17 dias consecutivos em alguns locais do país". Comparativamente, a actual vaga de calor - que chegou a ultrapassar vários dias a barreira dos 40oC - "não deverá durar mais de oito dias". A meteorologista acrescentou até que "o pior desta onda de calor" foram "as noites tropicais", causadas "pelas temperaturas mínimas acima dos 20oC".

Pode esta recente vaga de calor ser um indício de que a próxima década será ainda mais quente? É cedo para o estimar, embora "exista de facto a tendência para o aumento da temperatura, já que não há sinais de que venha a abrandar ou a inverter essa tendência", defendeu Fátima Espírito Santo.

mais de 370 mil mortes O estudo concluiu ainda que, entre 2001 e 2011, eventos climatéricos extremos como "ondas de calor, vagas de frio, secas, tempestades e cheias" causaram a morte a mais de 370 mil pessoas no mundo. O número é 20% superior ao registado na década anterior. Só o calor foi responsável por mais 2298% de mortes que em 1991-2000. A emissão de gases poluentes para a atmosfera é igualmente frisada. Em 2010 atingiu-se uma concentração de dióxido de carbono (CO2) de 389 partes por milhão - em Maio deste ano, o valor foi superado com a quebra da barreira das 400 partes, algo que não acontecia há cerca de 3,5 milhões de anos. As conclusões do relatório são o resultado da combinação de medições efectuadas pelas estações meteorológicas e pelos serviços hidrológicos recolhidos de 139 países.

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