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Malásia. Muitas hipóteses, poucas certezas e nenhum avião

Malásia. Muitas hipóteses, poucas certezas e nenhum avião

10/03/2014 00:00:00
As autoridades malaias confirmaram ontem que um homem iraniano comprou bilhetes com os passaportes roubados. José Manuel Anes diz que faz sentido pensar num sequestro ao avião que correu mal

Numa altura em que as operações de busca do avião desaparecido da Malaysia Airlines entram no quarto dia, os receios de um possível atentado terrorista mantêm-se, e o especialista em questões de segurança e defesa José Manuel Anes disse ao i que "faz sentido" pensar que por trás do "mistério sem precedentes na aviação" - palavras de Azharuddin Abdul Rahman, director-geral da aviação civil da Malásia - possa estar um "sequestro que correu mal".

O catedrático sublinha o facto de, das 239 pessoas a bordo do Boeing777 que partiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim, dois terços serem cidadãos chineses, e lembra o atentado no primeiro dia do mês em que morreram 29 pessoas e outras 130 ficaram feridas num ataque perpetrado por homens vestidos de negro com facas e machetes numa estação de comboios em Kunming, cidade no Sudoeste da China. As autoridades chinesas atribuíram o ataque a separatistas de Xinjiang - uma vasta região no Noroeste da China com maioria de população uigure, de confissão muçulmana. Ontem soube-se também que Taiwan recebeu um alerta sobre possíveis atentados terroristas na China. Segundo o jornal South China Morninbg Post, o líder da agência de segurança da ilha, Tsai De-sheng, adiantou que foram transmitidos a Pequim avisos sobre ataques ao aeroporto da capital chinesa e ao sistema de metro da cidade. Tsai De-sheng não especificou que tipo de ataques seriam, apenas que os avisos foram recebidos depois do atentado de Kunming.

José Manuel Anes refere ainda que a falha no processo de escrutínio dos passaportes no aeroporto de Kuala Lumpur - permitindo que dois passageiros viajassem com identidades falsas (dois passaportes europeus, um italiano e um austríaco, que tinham sido roubados na Tailândia há dois anos, e que, reportado o roubo, tinham entrado na base de dados da Interpol) - se deve a um "aligeirar da vigilância" por parte das autoridades malaias, por uma "falsa sensação de segurança" depois de um grande no esforço de "desradicalização" dos movimentos terroristas que operavam no seu território.

buscas Os responsáveis das equipas de busca e salvamento disseram ontem que a área em que se estão a concentrar os esforços para encontrar o avião irá ser alargada. A recém-expandida zona de buscas abrange uma porção maior do golfo da Tailândia, entre a Malásia e o Vietname, disse Azharuddin Abdul Rahman.

Uma frota internacional composta por 40 barcos e 34 aviões de dez países prossegue as operações de busca sem até ao momento ter encontrado qualquer sinal do Boeing 777 que desapareceu dos radares menos de uma hora depois de ter descolado, tendo subido a uma altitude de cruzeiro de 10 670 metros enquanto sobrevoava com bom tempo o Mar do Sul da China, sobre o Golfo da Tailândia e prestes a entrar em espaço aéreo vietnamita.

Várias pistas, desde o combustível avistado aos relatos de que uma das portas e a cauda do avião tinham sido avistadas, mostraram-se falsas, segundo tinha dito antes. "Infelizmente, ainda não encontrámos nada que pareça ser um objecto da aeronave, e muito menos a aeronave", disse Rahman. Nenhum sinal de emergência foi detectado por qualquer uma das embarcações envolvidas nas buscas e aos familiares dos passageiros foi-lhes dito para se prepararem para o pior.

Identificado Assim, o mistério que cerca o voo 370 da Malaysia Airlines continua sem solução e o único sinal de progresso nas investigações foi avançado pelas autoridades malaias, que dizem ter já identificado um dos dois passageiros que embarcaram no voo com passaportes roubados.

O chefe da polícia local, Khalid Abu Bakar, limitou-se a dizer que o homem não era um nacional da Malásia. "Para já, não podemos revelar mais do que isto", disse à AFP. "Ainda estamos a tentar determinar se eles chegaram legal ou ilegalmente." O governo malaio entregou fotos às agências de serviços secretos estrangeiras nas quais surgem os dois homens antes de embarcarem no avião com bilhetes apenas de ida. Não havia ainda nenhuma prova de que os dois passageiros descritos apenas como "não asiáticos" pelas autoridades pudessem estar de alguma forma envolvidos no desaparecimento do avião.

Os dois bilhetes foram emitidos em Pattaya, um enclave turístico muito popular na Tailândia e a polícia adiantou que tinham sido comprados por um iraniano conhecido como "Sr. Ali" e com os passaportes falsos. Aparentemente, Pequim nem seria o destino final dos dois homens. Supachai Phuikaewkhum, o chefe da polícia de Pattaya disse ontem que o homem era cliente regular da agência de viagens e que terá pedido aos funcionários as passagens mais baratas para duas cidades na Europa. "Foi-lhe dito que um voo com várias escalas seria mais barato, por isso escolheu aquela rota", explicou Supachai.

As autoridades da Malásia anunciaram entretanto a abertura de uma investigação paralela a uma possível rede de contrabando de passaportes.

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