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Por Jornal i
publicado em 6 Mar 2012 - 03:00
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James Curran. “O jornalismo ficou muito pior com a chegada da internet”
O director do londrino Goldsmith Media Research Centre considera que a tecnologia não foi o agente provocador da Primavera Árabe

No colóquio sobre os 75 anos da Rádio Renascença, numa sala de exposições da Universidade Católica de Lisboa à pinha de estudantes, munidos de iPads e smartphones, o professor James Curran garantiu, desassombrado, que a internet é quase um flop em relação às expectativas iniciais e que foi o mundo real a ocupar a web e não o contrário. Acabou aplaudido de pé pelo alunos.

As expectativas iniciais em relação à internet foram um flop?

Nos anos 90 as expectativas eram muito grandes, as pessoas achavam que o impacto da internet seria a concretização completa dos benefícios da tecnologia, mas o que não previram foi que o mundo real iria dominar a internet. Pensava-se que a internet iria remodelar o mundo, mas o mundo acabou por fazer o contrário. Acho que foi o mundo a ter mais impacto na internet que o contrário.

Mas houve mudanças, como a rapidez da informação, certo?

Talvez a palavra “flop” seja demasiado forte para caracterizar o impacto que a internet acabou por ter no mundo. As expectativas não foram cumpridas, mas o activismo político, por exemplo, ficou muito mais forte com a internet. Qualquer grupo que se reúna para combater algo que o preocupe tem na internet o melhor difusor da mensagem. E muitos têm conseguido marcar a agenda mundial, há vários exemplos. Veja-se a denúncia das fábricas da Apple na China, onde são pagos ordenados miseráveis e os trabalhadores têm falta de condições de trabalho. À custa dos vários protestos na internet, a Apple já tomou medidas para tentar reverter a situação. A influência da internet é enorme, é uma das grandes consequências. Com a internet os activistas conseguem trazer mais activistas para a rua. E a internet teve grande impacto na movimentação dos capitais. Apesar de tudo, o mundo não ficou melhor com a internet, não da forma que se imaginava há 15 ou 20 anos.

Mas já defendeu publicamente que a internet cria mais exclusão no activismo político. Como relacionar estes dois factores, uma maior consciencialização mundial e, ao mesmo tempo, uma maior exclusão do activismo político?

Os grandes excluídos são os que não têm acesso à internet.




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