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Por Isabel Tavares
publicado em 10 Nov 2013 - 16:11
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Silva Peneda "Há um clubezinho na Comissão Europeia que tem de ser posto na ordem"
O Parlamento Europeu vai abrir um inquérito à actuação da troika. Silva Peneda quer ser ouvido e diz que tem provas graves

Este ano, pela primeira vez na sua história, o Conselho Económico e Social (CES) apresentou, além do parecer sobre o Orçamento do Estado, um plano para o Portugal pós-troika, já a partir de Julho de 2014. Em entrevista ao i, José Silva Peneda explica os detalhes de uma série de ideias que pretendem contribuir para a discussão sobre aquela que deve ser a reforma do Estado e o futuro do país. Um modelo de ruptura.

Que análise faz do Orçamento do Estado para 2014?

O Orçamento do Estado é condicionado pelo programa da troika. E, neste orçamento, o CES confirmou o que disse noutras alturas: o programa da troika foi mal concebido.

Quais são os erros?

Há uma clara inadequação da caracterização da crise: subestimou-se a sua dimensão estrutural, muito mais profunda do que podia parecer, ignorou-se o elevado nível de endividamento, não só do Estado mas também das famílias e das empresas. Por isso tem uma estratégia com tempos de resposta impossíveis de concretizar sem pôr em causa equilíbrios económicos e sociais fundamentais. Tivemos uns anos de uma austeridade expansionista, entre aspas, que, na nossa opinião é irrealista nas condições em que a economia estava em 2011.

É razoável não ter previsto o aumento do desemprego, a quebra da procura?

O segundo erro foi subavaliar o peso da procura interna e o seu impacto negativo no emprego. O CES disse desde o princípio que o impacto seria enorme. Quando a taxa de desemprego começou a subir, os representantes da troika declararam--se muito surpreendidos. Em terceiro, a chamada reforma do Estado teve a lógica do corte na despesa, nos funcionários públicos e nas pensões, o que afectou de forma significativa o rendimento disponível das famílias e levou à redução do consumo, com efeitos negativos na economia. Quarto, a troika, ficou bem provado, tem uma visão minimalista das reformas estruturais da economia.

O que quer dizer com isso?

A troika apostou claramente na desvalorização interna competitiva, fundamentalmente através dos salários, de onde se poderia pensar que depois da perda de muitos empregos e empresas surgiria um novo élan, quando a realidade do nosso país é totalmente diferente.




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