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Perdas previstas na banca superam verba disponível do resgate

Perdas previstas na banca superam verba disponível do resgate

09/10/2013 00:00:00

O sector bancário vai continuar a sofrer as consequências da crise económica. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), os bancos nacionais estão entre os os mais expostos ao risco de incumprimento das empresas. O nível de alavancagem e endividamento das sociedades nacionais é o mais elevado dos países periféricos.O peso das pequenas e médias empresas, que pagam juros elevados, é também o mais relevante. 

A consequência é o aumento do crédito malparado e do incumprimento das empresas. E a factura vai voltar a pesar no balanço e nos resultados dos bancos.

Nas contas do relatório sobre a estabilidade financeira, os bancos portugueses enfrentam nos próximos dois anos perdas adicionais de 20 mil mil milhões de euros no cenário mais adverso em que não há retoma económica nem melhoria das condições de financiamento. Cerca de 60% está provisionado, mas uma fatia de oito mil milhões de euros não está coberta pelas provisões já constituída pelo sector para fazer face aos riscos de incumprimento. Esta perda potencial ultrapassa as verbas disponíveis no fundo de resgate à banca portuguesa, onde ainda há 6400 milhões de euros. A utilização destas verbas da assistência financeira, e pelas quais Portugal paga juros, para outros fins que não a recapitalização dos bancos, já foi equacionada várias vezes pelo governo.Mas a troika nunca deu luz verde a outras a destinos alternativos.

O FMI aponta noutra direcção e defende que estas perdas adicionais podem ser cobertas pelos resultados da actividade bancária. Esta solução implicaria o regresso ou a manutenção dos prejuízos nos bancos portugueses, mas permitiria salvaguardar o nível de rácios de capital no balanço da banca nacional.

Portugal é uma das três economias em maior stress da zona euro (as outros são Itália e Espanha), onde foi detectado um excesso de dívida empresarial que varia entre os 45% e os 55%. Para a banca espanhola, o FMI prevê perdas de 104 mil milhões, que estão cobertas. Na Itália, as perdas sem provisão podem atingir 53 mil milhões de euros. 

As taxas de probabilidade de incumprimento (default) não se limitam aos sectores da construção e imobiliário, mas alastram à indústria e aos serviços. Nessa medida, o Fundo defende que o balanço dos bancos portugueses terá de ser novamente de ir a exame para identificar a exposição às empresas. É a terceira inspecção ao balanço da banca portuguesa pós-resgate. As avaliações já conduzidas pelo Banco de Portugal focaram-se na exposição aos sectores da construção e imobiliário e na correcção da valorização dos activos dados como garantia de empréstimos. Nesta área, foram detectados sobretudo imóveis sobrevalorizados, a correcção  em baixa dos valores pode chegar aos 60%. 

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