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Adriano. O Imperador vai nu

Adriano. O Imperador vai nu

14/03/2012 03:00

Adriano é como desarmar uma bomba. Se cortares um fio errado, explode tudo. E como não há ali um MacGyver à mão de semear (alguém terá?), o Corinthians deixa cair o avançado e dispensa-o após a enésima situação de indisciplina. Desta vez, Adriano pede dispensa do treino dos suplentes e recusa-se a pesar, como é da praxe.

Março é um mês difícil para Adriano, vá lá saber-se porquê. É um rapaz de ideias fixas. Em 2009 troca Milão por São Paulo para descomprimir sem dar cavaco a Mourinho, seu treinador no Inter. Em 2010, envolve-se numa cena de tiroteio com a namorada Joana Machado em Chatuba (favela carioca), durante um baile funk. Em 2011 é dispensado da Roma. Em 2012, “isto”.

O isto já não surpreende ninguém no Corinthians. Os próprios jogadores estão cansados da palavra polémica estar constantemente agarrada a Adriano. Aliás, o próprio Imperador é uma pessoa isolada do resto. Não que se dê mal com os companheiros – pelo contrário, até –, mas por manifesta falta de regularidade emocional. As queixas são mais que muitas sobre mudanças explosivas de humor. Tão depressa está alegre e sorridente como fecha a cara e responde torto a quem quer que seja, desde companheiros a presidente do clube, passando também pelo treinador Tite.

Nem mesmo com Ronaldo, o grande incentivador da contratação, se dá uma aproximação. Sempre convidado para as noites de póquer do “padrinho” fenómeno, Adriano foge ao contacto. Coloca-se sistematicamente de lado e como uma estátua, sem murmurar uma palavra sequer.

Isto quando não sai simplesmente de casa, na zona do Pacaembu, e dá festas de arromba, com constantes queixas dos vizinhos pelo barulho da música e dos convidados.

Ou então quando sai de São Paulo e vai passar as folgas para o Rio de Janeiro, onde é constantemente apanhado em situação inacreditáveis e fora de horas. Enfim, Adriano é uma espécie de um cubo rubik, mas sem solução.

PASSAS DE ANO NOVO A passagem de ano ainda traz uma réstia de esperança. Para o Corinthians. E para Adriano.

Porque o avançado chega das férias animado e com o peso assim-assim (o ideal é uma falsa questão há muito, muito tempo). Mas basta uma inconsequente exibição na primeira parte com o Flamengo para Adriano voltar a ser um quebra-cabeças.

Ao intervalo desse particular com o fla em Londrina, o avançado chega ao balneário desolado por não ter tocado mais de três vezes na bola. Senta-se no seu lugar e baixa a cabeça, sem trocar palavra com ninguém. Dois dias depois, falta ao treino. É multado pela direcção do Corinthians.

A situação repete-se uma e outra vez. É naturalmente afastado da equipa principal, a competir no Paulista e na Taça Libertadores. Sem querer mudar de rumo, Adriano faz harakiri. A porta de saída é a única opção para o Corinthians.

Em 349 dias ao serviço do Timão, o avançado faz apenas sete jogos (quatro pelo Brasileiro, três pelo Paulista), entre lesões e processos disciplinares, e marca dois golos em 350 minutos. Para um jogador que custa 1,7 milhões de euros, é pouco. Pouquíssimo. Vale 240 mil euros por jogo, 5035 por minuto e 884 mil por golo. Uma fartura.

E o pior é que ainda falta ao Corinthians pagar a Adriano mais quatro salários, referentes a Março, Abril, Maio e Junho, num total de 631 mil euros. É muito. Muitíssimo.

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