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Por Jornal i
publicado em 1 Mar 2012 - 03:00
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Graffitar paredes como quem canta o fado
O Movimento dos Amigos de São Cristóvão convidou uma série de artistas para pintar um prédio decrépito da EPUL e tornar Lisboa mais bonita

“Ai que giro! Muito engraçado, por causa do fado. Está um cantinho muito giro com aquelas letras malucas”, diz uma.

“Este ainda não tinha visto, está muito giro”, diz outra.

O velhote que sobe as Escadinhas de São Cristóvão, em Lisboa, pára por uns momentos para descansar e aproveita também para apreciar os graffiti.

Há a Maria Severa, de perna à mostra numas meias de rede e um peixe malandro, de cabeça fálica, a olhar para ela. Há o Fernando Maurício, fadista, há bandeirinhas dos santos populares, guitarristas, pão e vinho. Mais abaixo, duas velhotas de carrapito, malha e agulhas na mão, bisbilhotam entre elas, com tatuagens nas mãos e no peito. Ao lado têm São Cristóvão, padroeiro dos viajantes, com o menino e o mundo nos ombros.

Um senhor pára e confidencia, apontando para as janelas fechadas a tijolo, que teve uma namorada que vivia ali. “Ela descia e namorávamos aqui à porta”, porta essa transformada em parede.

As obras são de vários artistas do graffiti, do design e até das tatuagens. A ideia foi do Movimento dos Amigos de São Cristóvão. Três casais, amigos e vizinhos, moradores daquela freguesia, que decidiram dar alegria a quem lá vive e passa. Os turistas que corajosamente sobem as escadas, em busca de uma Lisboa típica, não deixam de tirar fotografias ao prédio da EPUL, fechado e decrépito mas cheio de desenhos coloridos.

Alexandre Cotovio, Fátima Garcia e Vítor Fernandes são três dos seis membros do movimento que usaram a hora de almoço para falar connosco sobre este projecto e apontar pormenores nas pinturas que nem toda a gente consegue descobrir. Da pinta vermelha a assinalar Lisboa no mundo que o santo leva às costas ao Sr. Franklin e à D. Elvira Igrejas, fadistas imortalizados no graffiti, até à pintura do padre Edgar, que apoia este grupo desde o início.

Ema Costa, Sofia Gonçalves e Jaime Góis são os restantes amigos e vizinhos, todos na casa dos 30 anos, que formam o movimento que nasceu “de conversas de café”. Não é uma associação. É apenas a boa vontade de seis amigos que têm empregos e pouco tempo para gastar em burocracias: “Não queríamos ficar dependentes de subsídios e de obrigações”, explica Alexandre.




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