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Por Jornal i
publicado em 22 Jun 2012 - 03:00
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Afonso Cruz. A geometria das solidões num Alentejo que brinda com Cristo
A animação, a música dos The Soaked Lamb, a ilustração de livros infantis, e ainda a escrita, num romance de saciar a sede que reposiciona as prioridades etílicas de Jesus Cristo. Afonso Cruz correu mundo para criar raízes no Alentejo profundo, cenário de

Há uns anos dizia que ainda ligava às críticas porque eram poucas. Este romance vem acompanhado de um grande elogio do Valter Hugo Mãe. É mais fácil gerir as avaliações negativas ou o peso das muito positivas?

As positivas. O mau tem sempre um peso muito grande. Não nos esquecemos. É um pouco como quando escrevemos um livro ou uma música. Se houver um pequeno defeitozinho já só o ouvimos, sem conseguir ver o todo. Há sempre esse problema.

Quando começou nos romances estava mais ligado à ilustração. Sentiu algum preconceito por se iniciar na escrita?

Não, até porque foi quase ao mesmo tempo, apesar de ter muitos mais livros de ilustração. O que também é normal porque é mais rápido de fazer.

Sendo um autor com tantos ofícios, hoje considera-se o quê, em primeira instância?

É difícil. Realmente há dois anos ilustrava mais do que escrevia. Agora escrevo mais do que ilustro, é a minha principal actividade.

É mais difícil desenhar para um público infantil ou escrever para adultos?

Escrever é uma actividade que dá muito trabalho. Numa certa medida o desenho para mim é mais imediato, mais instintivo. Gosto de pensar nas ilustrações antes de começar, mas mesmo assim não preciso do mesmo tempo que preciso para escrever.

Este “Jesus Cristo bebia cerveja” não tem uma ilustração sua na capa.

Não, normalmente têm. Já pensava numa capa deste tipo; pegar num daqueles cartazes meio kitsch de Cristo e modificá-lo, com uma cerveja na mão. Mas por acaso tem acontecido quase sempre as minhas capas terem uma ilustração minha. Neste caso, achei que esta imagem teria mais impacto.

Há uma bagagem visual que convoca para a escrita do romance? Esses dois mundos contaminam-se?

Contaminam-se de alguma forma. Muitas vezes penso com esquemas, mas mais geométricos. Mas mesmo quando desenho, penso um bocadinho na ilustração, o que faz com que o processo seja mais ou menos parecido. É racional inicialmente, depois sai mais do corpo.

Tem um lado de investigador Borja, uma das personagens, que vê geometria quando escuta Bach?

Exacto, adoro geometria e acho que contém algumas respostas para as nossas perguntas mais básicas.




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