Pub


Por Rui Miguel Tovar
publicado em 19 Jul 2010 - 03:00

Vítor Baptista. Não foi o Maior mas podia muito bem ter sido
A 19 de Julho de 1971, o Benfica contratou o avançado ao V. Setúbal na transferência mais cara de sempre do futebol português (três mil contos)

"O Rebelde" ou "Fúria de Viver" foram filmes que já passaram nas salas portuguesas. Vítor Baptista não entrava em nenhum deles, mas seria um óptimo actor para o papel principal. Refilão (dizia constantemente ser o mais mal pago do plantel) e irreverente, contornava esses defeitos com a classe dos predestinados e, com isso, ganhava a simpatia do público e dos próprios companheiros. A 19 de Julho de 1971, o Benfica apresentou-o à comunicação social no Estádio da Luz, depois de o contratar ao V. Setúbal na transferência mais cara de sempre no futebol português: três mil contos (além de José Torres, Matine e Praia) mais 750 contos de luvas por três anos e um salário mensal de oito contos. Num curioso exercício de auto-avaliação, Vítor Baptista dizia-se o Maior. Assim, sem mais nem menos! Era de Setúbal, onde começou a trabalhar aos 13 anos numa mercearia e não só. "Eu fazia recados às prostitutas e apanhava moedas que os camones' atiravam para a água." Aos 15, entrou num torneio de futebol de sala e foi o segundo melhor marcador, atrás de Quinito (mais tarde, treinador). Foi para o Vitória, onde fez história como vencedor da Taça de Portugal, com apenas 18 anos. Aos 22, marcou 22 golos na 1.a divisão e os grandes de Lisboa caíram-lhe em cima. Comprometeu--se verbalmente com o Sporting mas só assinou com o Benfica. E nem quis saber da concorrência de Nené, Eusébio, Artur Jorge e Jordão. Na estreia pelo Benfica, marcou um golo... ao V. Setúbal. Seguiram-se mais 61, num total de 150 jogos, até 1978. Mas o seu traço de exotismo não passava despercebido. Era um desadaptado. Um dia, conta Shéu, prendeu um cão ao poste de uma baliza, antes de um treino. Outro dia, conta toda a gente, marcou um golo monumental ao Sporting - o seu último pelo Benfica. A bola chegou-lhe pelo ar, ele parou com o peito à entrada da área e disparou uma bomba indefensável. À obrigatória festa, seguiu--se um episódio caricato. Deu-se conta do desaparecimento do seu brinco da orelha esquerda, que havia custado "para cima de dez contos", segundo ele, e impediu o reinício do jogo para procurar, centímetro por centímetro, o objecto no relvado face à risada geral.




Pub


 

Pub

Pub

Pub

Pub













X
Introduza o seu endereço de e-mail.
Introduza a senha associada ao seu endereço de e-mail.
  • Sign in with Twitter
A carregar