Pub


Por Jornal i
publicado em 15 Maio 2010 - 03:00

Alexandre Castro Caldas "Tocar um instrumento é muito útil"

Os segredos e os mistérios do cérebro estão entre as palavras calmas de Alexandre Castro Caldas. O neurocientista, o médico - que uma vez também tratou a minha avó - e o professor, o presidente do Instituto das Ciências da Saúde da Católica. Uma conversa boa, que impôs uma segunda volta ao seu gabinete na Universidade. Um privilégio! Médico, professor ou neurocientista, o que é que sente?Ser professor de Medicina implica actividade em três domínios: investigação, ensino e ciência. É preciso manter os três pratos a andar, como no circo. Tenho a cultura de estudar e aprender todos os dias. E aprendo com os casos mais difíceis - procuram-me porque acham que os mais velhos têm mais experiência. Mas a clínica está a ficar cada vez mais difícil.Porquê?Não devemos pretender saber tudo. Muitas vezes não sou capaz.Esperam milagres?E muitas vezes é preciso dizer a verdade que não querem ouvir.E isso, como é que se aprende?O curso nunca me ensinou a dar más notícias, mas é necessário, porque muitas vezes é preciso moldar e ajudar as pessoas a adaptarem-se à situação. E com ou sem emoção?Não há uma fórmula, antes uma necessidade de compreender o outro. Afligem- -me as médias dos 12 minutos de consulta. O mais importante é a relação paciente-médico. Nunca estabeleci uma relação em 12 minutos. Mas hoje tudo se mede. É uma obsessão.Na Medicina há o risco de deixarmos as pessoas pior do que estavam, o que resulta na maior procura de serviços médicos, Muitas vezes uma boa conversa, uma psicoterapia breve resolveria o problema.Os dirigentes não entendem isso?Não é um fenómeno nacional. Existem doenças que precisam de tratamentos específicos. Mas depois existe uma enorme franja de medos e inseguranças que se resolvem com uma boa explicação. É muito gratificante quando as pessoas saem de uma consulta de uma hora mais aliviadas e sem pedirem remédios.Mas afinal o que gosta mais de fazer? Investigar, tratar, ensinar?De tudo, igualmente. Tenho alguma mágoa por estarmos a perder o comboio da cultura e da educação. Tenho encontrado alunos sobre os quais penso: se esta pessoa tivesse instrumentos cognitivos seria fantástica, mas não os desenvolveu.Nascemos com um cérebro, mas podemos trabalhá-lo.A genética marca as competências, mas podemos fazer muito por estragá-las, não as aproveitando.




Pub


 

Pub

Pub

Pub

Pub













X
Introduza o seu endereço de e-mail.
Introduza a senha associada ao seu endereço de e-mail.
  • Sign in with Twitter
A carregar