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Por Jornal i
publicado em 4 Jan 2010 - 03:00

Tudo como dantes?
Nas estruturas, sim. No pensamento, as coisas começam a mudar. Boas notícias para quem acredita que, a prazo, só as ideias contam

Em artigo na "Visão", Mário Soares, com a argúcia habitual, assinalou "que não houve coragem, até agora, para mudar o modelo de desenvolvimento do capitalismo financeiro-especulativo, sem preocupações sociais, ambientais e de justiça." O mais importante acontecimento de 2009 foi algo que não ocorreu. No entanto, ocorreram muitas coisas em 2009: a "classe média", nome que o empresarialmente correcto usa para designar a burguesia nacional, aproveitou o ano para bater o recorde de investimentos em paraísos fiscais que os governos há muito deveriam ter desmantelado; as agências de notação, que ganharam rios de dinheiro a avaliar com nota máxima o que depois de 2007 se passou a designar por "lixo tóxico", continuam por aí a ameaçar impunemente os governos democráticos. Lembremos uma vez mais que foram estes que, através do défice público, evitaram que o colapso da procura privada desse origem a uma grande depressão. Ainda ninguém se lembrou de seguir o conselho de vários economistas: substituir estas agências privadas com incentivos perversos, e que hoje tornam mais difícil e oneroso o financiamento público e a saída da crise, por agências públicas internacionais de avaliação.É bem verdade que Keynes tem sido muito invocado; há até quem diga que "somos todos keynesianos" outra vez. No entanto, as energias experimentalistas dos governos e das instituições internacionais têm sido mobilizadas para manter intactas as estruturas de constrangimento criadas pela economia global. O Tratado de Lisboa, agora aprovado, proíbe explicitamente os necessários controlos de capitais, para já não falar de qualquer veleidade proteccionista que possa abertamente pôr em causa décadas de liberalização com resultados mais do que duvidosos. E, no entanto, sem essas medidas não há reforma dos capitalismos realmente existentes.O economista Jacques Sapir assinalou, num livro recente sobre o regresso das nações, que precisamos de "refragmentar", de forma tão controlada e razoável quanto possível, a economia mundial. Isto para dar margem de manobra aos Estados ou aos blocos regionais para voltarem a pilotar os fluxos económicos e assim evitar as desigualdades que estão na base desta crise e que, na ausência de reformas, estarão na base de crises futuras. Isto para não falar da utopia que consiste em pretender enfrentar os problemas ambientais num quadro marcado pela chantagem permanente dos capitais que resistem ao necessário incremento da planificação pública e à correspondente diminuição da discricionariedade empresarial.




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