Pub


Por Jornal i
publicado em 12 Ago 2009 - 03:00

Iraque. Mulheres da luta livre desafiam tradição
As lutadoras enfrentam a fúria dos líderes tribais. Um deles diz que "devem ser assassinadas"

Não é algo muito frequente no mundo árabe, mas um treinador decidiu, em Janeiro, organizar uma equipa de lita livre totalmente feminina, a primeira de sempre no Iraque. As lutadoras estão a adorar e já sonham com uma participação nos Jogos Olímpicos.Porém, há muitas pessoas na cidade de Diwaniya, a sul de Bagdade, que, como a maior parte do Iraque, são religiosas, conservadoras e em grande parte governadas pela tradição tribal. E pretendem que a dúzia de raparigas e jovens mulheres da equipa parem imediatamente de praticar a modalidade. Um membro de uma tribo afirmou que, se continuassem, "deviam ser assassinadas". Um clérigo xiita diz que a equipa devia ser banida porque a luta pode conduzir à "promiscuidade" e a "transgressões" contra o islão.Por causa das pressões, quatro lutadoras desistiram. As restantes, contudo, incentivadas pela promessa posterior à invasão de mais democracia e igualdade, enfrentam as ameaças. "Julgam que somos raparigas desregradas só porque fazemos desporto", diz Ikram Hamid, de 25 anos, um dos membros da equipa. Farah Shakir, de 17, acrescenta: "É, de facto, algo de diferente para o Iraque, mas adoro o desafio."Na verdade, não é só a luta livre feminina que perturba os tradicionalistas. "Tenho informações de que também a luta masculina é problemática, por causa de toda a fricção que ocorre", diz o xeque Hussein al-Khalidi, um clérigo de turbante que faz parte do conselho provincial. Porém, foram as mulheres que tocaram no ponto nevrálgico, talvez em parte devido à sua ambição. Três outras equipas foram criadas no Iraque depois da equipa de Diwaniya, que contou com o apoio da federação iraquiana de luta. Em Junho, todas as equipas participaram num campeonato, ganho pela equipa de Diwaniya, que se qualificou para um torneio de luta livre em Setembro, na Ásia.Alguns locais ficaram cativados pelas lutadoras femininas e consideram-nas um desafio adequado ao sistema tribal e religioso entrincheirado, cujo controlo sobre a sociedade e a vida das pessoas, paradoxalmente, se tornou mais apertado após a invasão de 2003. Um apoiante, Haidar Walid, de 20 anos, diz que a equipa é um "sinal de evolução e liberdade".A controvérsia em Diwaniya sublinha uma luta fundamental que ocorre na sociedade iraquiana em geral.




Pub


 

Pub

Pub

Pub

Pub













X
Introduza o seu endereço de e-mail.
Introduza a senha associada ao seu endereço de e-mail.
  • Sign in with Twitter
A carregar