Pub


Por Jornal i
publicado em 31 Maio 2011 - 03:00

Obesidade informativa nos debates do MRPP
A democracia precisa de mais igualdade, mas não se pode tratar como igual o que é diferente e nem sempre o juiz decide bem

Portugal ainda é uma jovem democracia de 37 anos. E ainda não tem práticas muito arreigadas para a defender e desenvolver. Os debates na televisão em campanha eleitoral fazem parte de uma forma de fazer democracia, pelo impacto que tem esse confronto de ideias e de imagem. Tem havido eleições com debates em que estão todos os candidatos (em presidenciais), outras em que estão os líderes dos partidos (já houve), outros apenas a dois. É um facto que os partidos mais pequenos - leia-se "os que não têm representação parlamentar" - não têm as mesmas condições de divulgação da sua mensagem. Há um círculo vicioso entre terem notoriamente menos gente a seguir as suas ideias e terem menos tempo de antena nas televisões e menos espaço nos jornais pelo que chegam a menos gente. Não é justo no sentido estrito do termo, mas nem as televisões têm todo o tempo do mundo nem os jornais podem alargar as suas páginas ao infinito. De um ponto de vista jornalístico, também não faz sentido tratar coisas diferentes como iguais ou equiparadas. Agora uma providência cautelar apresentada junto do Tribunal de Oeiras ordena às televisões que façam debates em que todos os partidos devem confrontar-se com o PCTP/MRPP e o seu candidato por Lisboa, Garcia Pereira. De uma desigualdade passou-se a um absurdo, que pode conhecer melhor fazendo zoom nas páginas 14-17. Mas no essencial a decisão judicial torna-se, além de absurda, impraticável. Bem sei que os juízes se limitam a proferir decisões sobre os factos que lhes apresentam e não têm de conhecer se outros partidos se queixam ou não nos jornais. Mas mais uma vez o sistema judicial não fica bem. Ou seja: Garcia Pereira está no seu direito de apresentar queixa e, como advogado versado em coisas destas, sabe exactamente que efeitos pode obter. O juiz devia ter o dever de decidir com outra latitude e a outra luz. Mas resta ainda o problema da democracia que não dá as mesmas oportunidades a todos, o que é um problema real. O que fazer? O problema tem sido posto em muitos outros países e não há soluções óptimas.




Pub


 

Pub

Pub

Pub

Pub













X
Introduza o seu endereço de e-mail.
Introduza a senha associada ao seu endereço de e-mail.
  • Sign in with Twitter
A carregar